Apesar do grande aparato do
Estado, muitos recursos que deveriam alcançar seu destino final não chegam de
forma suficiente, o que pode se traduzir na falta ou na má prestação de
serviços básicos. Com a desestatização do país no final da década de 90, várias
medidas foram tomadas visando atribuir à iniciativa privada parte da prestação
dos serviços públicos. Também foram criadas nessa época as regras para
qualificação das chamadas entidades do Terceiro Setor - associações e fundações
sem fins lucrativos - que passariam a cooperar com o poder público mediante os
termos de parceria ou contratos de gestão.
Assim, entidades qualificadas
como Organizações Sociais ou como Organizações da Sociedade Civil de Interesse
Público prestam importantes serviços à sociedade, recebendo recursos
governamentais. Porém, sempre que há circulação de somas de dinheiro publico há
possibilidade de desvio, o que deve ser combatido com maior controle e
transparência na prestação de contas. Cabe ao administrador público formular os
critérios para a escolha das entidades de forma aberta, com indicadores quantitativos e qualitativos eficazes para
aferir as metas e os resultados desejados. Percebe-se que nas diversas esferas
administrativas ainda há pontos conflitantes na legislação que precisam ser
aperfeiçoados. A própria interpretação da lei tem causado discussões do que é
ou não certo, como é o caso dos convênios celebrados entre o poder público e o
Terceiro Setor.
Apesar do caminho burocrático e
do individualismo há pessoas que acreditam no poder da união e da
solidariedade. Para quem almeja melhorar a realidade social, principalmente em
regiões mais desprovidas e pensa em criar ou dirigir uma associação com fins
não econômicos - que difere da fundação, pois não requer um patrimônio para
existir - esteja ciente dos desafios que deverá enfrentar, mas sem desanimar.
Um deles é a desconfiança alheia. É preciso dar mostras de honestidade através
da transparência nos atos assumidos e deixar os objetivos bem claros para que
as pessoas se identifiquem com a causa e sintam dispostas a participar. É
indispensável conhecer as leis e interagir de modo ético com o poder público,
com os membros e com a sociedade. É necessário podar continuamente as arestas
da corrupção para não se surpreender com as atitudes imprevisíveis de seus
pares humanos. Deve ter a consciência de que a associação não é uma empresa, ou
seja, não serve para gerar ou repartir lucro. Os excedentes financeiros são
reaplicados nas atividades da entidade para alcançar os propósitos previstos em
seu estatuto. A associação não tem um dono e por isso deve alternar seus
dirigentes. Além da capacidade de gestão, da criação e execução de bons
projetos, da colaboração dos recursos humanos, especialmente do voluntariado, é
imprescindível ter vocação para ajudar a resolver os problemas sociais, fazendo
com que os recursos sejam aplicados de maneira justa e suficiente. Se parecer
complicado, prevaleça a esperança.
Por Ronildo Ferreira Pamponet
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