segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O verdadeiro papel de uma parceria: OSS e o município de São Paulo





A eleição municipal da cidade de São Paulo trouxe à tona a discussão sobre a eficiência e a validade das parcerias com as Organizações Sociais de Saúde, é verdade que as acusações eleitorais falaram mais alto e pouco se caminhou quanto a evolução desse debate e, consequentemente, uma maior reflexão sobre a atual conjuntura que se perpetuou desde o final de década de 90 pela lei complementar nº 846 de 04 de junho de 1998.
Em primeiro lugar verificou-se a existência de uma corrente defensora de tais parcerias com a defesa de que estas funcionam e melhoram o nível da saúde pública da cidade, em contrapartida questionou-se a fiscalização dessas parcerias, buscando-se maior transparência e o fim de um alojamento de algumas OSS no sistema de saúde municipal.
Ainda sim um questionamento fundamental a se fazer tratando da questão não foi levantado no debate eleitoral; afinal as OSS cumprem seu papel organizacional na função que exercem e de qual maneira essas parcerias ajudam a difundir uma excelência de tratamento no campo da saúde melhorando o sistema como um todo?
De fato, ainda que existam as exceções à regra, o atendimento das OSS é elogiado por especialistas da área e pela população atendida, entretanto não se vê uma atividade conjunta ou que seja influenciado por essas vertentes de parceria que façam o sistema melhorar sua qualidade nos pontos de maior dificuldade e sobre os cuidados exclusivos da gestão pública. Os mais críticos sobre o tema afirmam que se percebe uma terceirização do sistema, ou seja, a gestão municipal deixa na mão dessas parcerias o sistema de saúde sem que haja a mínima difusão de conhecimento e melhoria das atividades nos outros setores em questão o que causa uma disputa ferrenha entre as próprias OS da área, afinal ainda que tenham a intenção do lucro os contratos em disputam são de importância fundamental para a evolução da OS e sua perpetuação na área atendida.
De qualquer maneira o fim das parcerias com as OSS não parece ser o melhor caminho a ser tomado, o trabalho em diversas frentes é feito com absoluta competência, ainda sim cabe a gestão municipal se utilizar da atual conjuntura para fazer evoluir o sistema de saúde público como um todo. Essas parcerias não podem ocorrer sem os mecanismos legais dos contratos, ou seja, a fiscalização dos contratos é ponto primordial de partida para que haja transparência nas atividades, a prefeitura não pode negligenciar seu papel e lotear a saúde municipal abrindo mão de seu papel e sua responsabilidade como gestora, o que se busca é uma parceria propriamente dita e não o loteamento do sistema de saúde ou a transferência de responsabilidade de um dos direitos básicos da população.

 Cassiano de Siqueira Archas

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